Museu do Café completa 40 anos como Patrimônio Histórico de SP

Registro original mostra que imóvel de Santos foi adquirido por 730 mil contos de réis

Museu do Café de Santos
Imóvel abrigava a Bolsa Oficial do Café | Foto: Divulgação/Museu do Café

O Museu do Café, localizado no Centro Histórico de Santos, completa 40 anos de tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT) nesta quarta-feira, 22. O imóvel, que abrigou a Bolsa Oficial do Café, eterniza um pedaço da história do país, já que o grão foi um dos principais propulsores da economia, tendo colaborado, inclusive, para o desenvolvimento e modernização de São Paulo.

No imóvel, o aroma do café invade os sentidos, e os olhos enchem com a arquitetura, arte e mobiliário de época. No passeio pelo local, é possível conhecer toda a história da construção, do funcionamento da Bolsa do Café e aprender sobre os grãos. 

Documento de compra do imóvel da Bolsa do Café

História

A Bolsa Oficial do Café foi instituída por decreto federal em 1917, funcionando como uma pequena repartição e, em 1920, o imóvel foi comprado pela Fazenda do Estado de São Paulo da viúva Escolástica Melchert da Fonseca pelo valor de 730 contos de réis. O documento que possibilitou a preservação do espaço está arquivado no 1º Registro de Imóveis da cidade de Santos, onde consta no Livro 3-Q, sob o n°18.541 (imagem ao lado, cedida pela Anoreg-SP). A propriedade foi transferida em 25 de março de 1920, um dia após a apresentação da escritura de compra e venda em desapropriação amigável por utilidade pública feita no 5º Tabelionato de Notas de Santos. O documento foi divulgado pela Associação dos Notários e Registradores do Estado de São Paulo (Anoreg-SP), que abrange 1.546 mil Cartórios distribuídos em todos os municípios do Estado.
 
O prédio em sua estrutura atual foi inaugurado somente em 1922, na rua XV de Novembro. A Bolsa Oficial do Café encerrou suas atividades na década de 1960 e, em 1986, um decreto a extinguiu. Todos os bens móveis, funcionários e o próprio prédio passam para a responsabilidade da Secretaria da Fazenda, no entanto, o imóvel passava por processo de degradação. Em 1996, foi instituído um grupo que viabilizou a transformação do local em museu e o reestruturou - já que a torre corria risco de desabamento.

Museu do Café

Os trabalhos em prol de sua conservação deram resultados e, em 1998, foi inaugurado o Museu do Café de Santos, que se tornou um dos principais pontos turísticos da cidade e um dos mais visitados em todo o estado, com mais de 300 mil visitas anuais (referência anterior a pandemia). Por meio de objetos, documentos e recursos audiovisuais, a instituição mostra ao público como a evolução da cafeicultura e o desenvolvimento político, econômico e cultural do país estão ligados, desde meados do século XVIII até os dias de hoje.

Um dos destaques do acervo é o próprio salão do pregão, composto por uma mesa principal e setenta cadeiras, além das telas 'O Porto de Santos em 1922', 'A Fundação da Vila de Santos – 1545', 'O Porto de Santos em 1922' e o vitral 'A Epopeia dos Bandeirantes', todas obras de Benedicto Calixto. Neste espaço eram realizadas as negociações que determinavam as cotações diárias das sacas de café.
 
O Museu do Café pode ser visitado de terça-feira a sábado, das 9h às 18 horas, e domingo, das 10h às 18 horas (fechamento da bilheteria às 17 horas). Já a Cafeteria do Museu recebe o público de terça-feira a domingo, das 10h às 18 horas.

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