Foca encontrada na praia das Calhetas retorna a seu habitat

Animal encontrado na praia de São Sebastião foi reabilitado no Instituto Argonauta

Foca e contrada na praia das Calhetas, entre as praias de Toque-Toque
Foca-caranguejeira estava nas areias de Calhetas, entre as praias de Toque-Toque  | Foto: Instituto Argonauta

Biólogos e veterinários do Litoral Norte realizaram a reabilitação e soltura de uma foca-caranguejeira encontrada em 30 de junho, na praia das Calhetas, localizada entre as praias de Toque-Toque, em São Sebastião. O retorno do animal ao seu habitat ocorreu na segunda-feira, 27, após três meses de tratamento.

Mais notícias

- História de Pelé no Santos é retratada em exposição com mais de 500 fotos 

-  Festa da Tainha movimenta Bertioga até dezembro

Quando encontrada e avaliada pelo Instituto Argonauta, integrante ao Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) a foca estava fraca, apática e com algumas lesões na pele. Por isso, ela foi transferida para o Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) em Ubatuba, onde foi cuidada por veterinários.

O animal passou por três meses de tratamento, quando recebeu reforço nutricional e ganhou peso, preparando-se para o retorno à vida marinha. Segundo o Instituto Argonauta, foi seguido um protocolo com normativas para animais antárticos e subantárticos, que atesta o processo de reabilitação e garante a ausência de enfermidades no animal.

“Mais do que ganhar peso, o animal tem que conseguir se alimentar sozinho, estar livre de doenças e com as reações esperadas para a espécie”, explica a bióloga Carla Beatriz Barbosa, diretora executiva do Instituto Argonauta e Coordenadora do PMP-BS, Trecho 10.

Marcações em um brinco com numeração e contato nas nadadeiras posteriores foram postos no animal para que sua identificação seja feita em uma possível reavistagem.

A soltura da foca-caranguejeira não ocorreu na praia, mas em mar aberto, em região próxima à que foi encontrada, para auxiliá-la em sua jornada de volta para casa.

A operação contou também com o apoio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), por meio da equipe do oceanógrafo Milton Kampel, pesquisador responsável pelo Laboratório MOceanS (Monitoramento Oceânico por Satélite); da Divisão de Observação da Terra e Geoinformática; e da Coordenação-Geral de Ciências da Terra do INPE, que monitorou e forneceu as informações sobre as correntes marítimas que melhor se encaixavam ao desempenho da foca.

Foca-caranguejeira

O animal encontrado possuía cerca de 1,60m, sendo que a espécie pode atingir até 2,60 metros. Entre as características físicas estão cabeça e focinhos largos, nadadeiras anteriores grandes e em forma de remo, e pelagem com coloração clara.

Apesar do nome popular, essa espécie, Lobodon carcinophaga, não come caranguejos, e sim pequenos crustáceos como o krill, pequenos peixes e lulas.

A foca-caranguejeira costuma aparecer principalmente na região subantártica e antártica. No Brasil, há registros ocasionais da foca-caranguejeira na região Sul e Sudeste, sendo que é a terceira ocorrência da espécie no Litoral Norte de São Paulo nos últimos 12 anos.

Postar um comentário (0)
Postagem Anterior Próxima Postagem